ONDE ENCONTRAR O PAPAI NOEL VASQUES
 

  Guaramirim: Cachorro Pequeno, alusão ao Lobo (Guará);

*Guaramirim, nome de origem indígena que significa Pequena Garça Vermelha (adotado como a versão oficial e que faz parte do Brasão do município); quando o padre francês Claude d’Abbeville chegou ao Brasil, em 1612, deslumbrou-se com o manto, de plumas vermelhas, usado pelos índios tupinambás, o acoiave. Na História da Missão dos Padres Capuchinhos na Ilha do Maranhão, escreveu: “Os homens da terra usavam o acoiave tecido com as mais belas penas, não para esconder o corpo, mas sim para se mostrarem mais belos em seus festins e solenidades”. A majestade da vestimenta que encantou o franciscano vinha da penugem do guará (Eudocimus ruber), que habitavam os manguezais da costa brasileira. Ao contrário das tribos tupinambás e tupiniquins, que foram dizimadas no século XVII, esse parente das garças e das cegonhas não integra a lista atual de espécies ameaçadas de extinção.

  
  Mas, hoje, colore uma área menor do país, restrita aos manguezais da Região Norte. Há uma exceção: a Baixada de Cubatão, no litoral de São Paulo. Lá um grupo de 600 indivíduos resiste, surpreendentemente, à poluição industrial. A cor do guará vem da alimentação baseada em crustáceos. “Todos os caranguejos carregam caroteno”, explica o ornitólogo Dante Teixeira, do museu nacional, no Rio de Janeiro. “Esse pigmento vermelho absorvido pelas penas, deixa a ave escarlate”. Se o cardápio é alterado, a penugem desbota. No século XVI, quando o Brasil era colônia portuguesa, os guarás habitavam os manguezais da Ilha de Santa Catarina.

* Fonte: Revista Super Interessante (pág. 83).