HISTÓRICO DE GUARAMIRIM
 

  Há alguns poucos estudos sobre a história de Guaramirim, contudo, todos sem grande fundamentação e consistência. Hoje já chegamos a uma primeira constatação, que não é possível entender a nossa história, sem antes estudar profundamente a história da nossa região, em especial a colonização desencadeada a partir de 1851 onde Joinville foi o alvo principal e por conseqüência São Bento do Sul, Jaraguá do Sul e Blumenau, só para citar cidades hoje de maior expressão econômica e que foram frutos da Colonização Alemã. Podemos assim constatar que no ano de 1855 ocorreu o primeiro contrato de demarcação, compreendendo quatro léguas quadradas em nosso verdejante vale, todavia não executado. Em 1859 o referido contrato foi renovado e sob a direção do engenheiro Wunderwald começou a ser executado, mas devido ao solo alagadiço e tido como imprestável novamente foram abandonados. Nova investida ocorreu, apenas a título de demarcação, no ano de 1873 quando uma expedição, comandada por Emílio Carlos Jourdan fundador de Jaraguá do Sul em 1876, subiu a Serra Dona Francisca em direção a São Bento do Sul, descendo pela margem direita do Rio Itapocú, até Jaraguá do Sul, nas imediações de onde hoje localiza-se o Parque Industrial Indumak, atravessando assim o Rio Itapocú em direção ao Rio Itapocuzinho, e descendo em direção a Estrada do Sul via Brüderthal, chegando após quarenta dias exaustos e famintos à Joinville. Em 1886 um grupo de três Bálticos, vulgarmente chamado de Russos estabeleceu-se na Região de Brüderthal, fundos da Colônia Dona Francisca sob a liderança do Pastor Wilhelm Lange.

 

  Há cem anos atrás, chegou nesta região de mata e algumas choupanas, quatrocentas famílias vindas da Rússia e Letônia da cidade de Novgorod e Riga, trazidas pela imigração brasileira de São Francisco do Sul que se dividiram em colônias: Bruderthal, Vila Itapocuzinho, Rio Branco, Jacu – Açu, Campinas ou Capela São Roque, Guarani e Linha Telegráfica, terras pertencentes ao município de Joinville, Araquari e Blumenal hoje Guaramirim e Massaranduba.O Brasil não tinha tratado de imigração com a Rússia, este foi o grande motivo pelo qual os Russos não aparecem na História de Guaramirim. Eles viajavam de trem ou navio até Hamburgo, na Alemanha, e conseguiram o passaporte como cidadãos Alemães e chegavam aqui como cidadãos Alemães e não Russos. Passados cem anos, quase todos imigraram para São Paulo e Paraná, sendo que umas 30 (trinta) famílias voltaram para a Rússia e em 1933 deram vez aos Italianos que hoje estão por todas as partes do município. Esse grupo era membro da seita ou comunidade Herrenhuter. Em 1887, um grupo de colonos que dirigia-se a colônia Jaraguá, aportou as margens do Itapocuzinho, vindos da Europa através do VAPOR DESTERRO, que atracou no Porto de São Francisco do Sul, sob a liderança do professor Gustav Doubrawa, estabelecendo-se a margem do Rio Itapocu, originando-se depois Bananal e hoje Guaramirim.

 

  Acompanhavam o professor e agrimensor Gustav Doubrawa os seguintes imigrantes: Karl Schaefer (sapateiro e homeopata), Dr. Carl Kärger (1.º médico), Anna Frenzel, Johan Achtel, Frederico Meuslen, Carl Bartol, Hermann Leifer, Josef Rech, Ludwig Fossile, (1.º Comerciante e Açougueiro), Eduard Gretsch, Franz Kohlbach, Theodor Saade, Ludwig Meslin, Carlos Colli, Bernad Wien, Algust Nürberg, Johan Doubrawa, Carl Nürberg, Carl Dencker, Otto Reehmor, Ferdnand Hans, Carl Schäefer, Carl Hädke, Robert Schäefer, Gustav Karmann, Wilhelm Schwarz, Julius Friedmann, Ferdinand Hansch, Carl Vasel e Gustav Karmann que tinha os lotes n.º 1771, 1772 e 1775 onde em 1891 passou para os Friedmann. Também havia alguns brasileiros já estabelecidos no caminho do Itapocu, sendo eles: Salvador Cordeiro (Inspetor de Quarteirão), José João Vieira, Thomas Vieira, João Cordeiro, Firmo Venâncio da Rosa, Manoel Alves da Siqueira, José Vicente Caetano, Bento Ricardo de Souza.

  

  Este é considerado o marco inicial do povoamento de Bananal, já que não há outros registros oficiais a respeito. Em 1891, o professor Gustav Doubrawa, foi escolhido pelo Pastor Wilhelm Lange, de Brüderthal, para lecionar na escola para os próprios moradores, em casa de estilo enxaimel. As aulas iniciaram em 1892.

O Barracão de Imigrantes consistia em estrutura sólida e cercada de tábuas serradas "a Marangoni", serviço braçal coberto com folhas de flandes galvanizada a zinco, cujo piso era de terra batida e oferecia agasalho para conter até 20 famílias.

Com implantação da Estrada de Ferro São Francisco do Sul - Porto União foi inaugurada a Estação Ferroviária de Bananal em 1910, hoje a edificação mais antiga da cidade. A estrada de Ferro trouxe o progresso e em conseqüência deslocou o eixo da colônia para as imediações da Estação Ferroviária, ficando o marco inicial em segundo plano.

 

  Uma outra referência pertinente aos primórdios de Guaramirim pode-se fazer em relação à implantação em 1907 do Núcleo Federal Barão do Rio Branco que perdurou até 1930, vindo a sofrer um forte retrocesso. No ano de 1907 o Governo Federal de Afonso Pena criou por Decreto do Ministério da Agricultura (Instituto de Colonização Federal), o núcleo Barão do Rio Branco desmembrando do domínio Dona Francisca uma gleba com 192 lotes rurais e uma sede na qual foram edificadas 15 casas. Foram também construídos um correio, uma cadeia, uma escola, uma praça com serviço de metereologia, um barracão para

os imigrantes, e o restante das casas para os funcionários do núcleo. Foi construída também uma capela que foi batizada com o nome de São José, sendo seu capelão até 1921 Cantalício Erico Flores.

Todos os estudos efetuados nos revelaram de que Bananal (Guaramirim) é parte integrante da Colônia Dona Francisca e suas terras pertencentes a esta colônia, fruto do contrato efetuado, pelo senador alemão Mathias Schroeder que objetiva à referida colônia, maior foco de colonização agrícola da América do Sul pela extensão e produtividade.

Os primeiros Imigrantes vieram da colônia Dona Francisca e eram alemães; posteriormente chegaram italianos, açorianos, poloneses e outros que se assentaram no município.

 

  O primeiro nome foi Itapocuzinho, posteriormente foi oficializado o nome de Bananal pela Lei n.º 281 de 02 de Julho de 1919.

Em 19 de Março de 1921 foi criado o distrito e em 1.º de Dezembro de 1938 foi promovido a categoria de Vila.

Por força do Decreto Presidencial, em 1944 o nome Bananal foi substituído por Guaramirim.

Em 28 de Agosto de 1949, o distrito foi emancipado de Joinville constituindo-se no município de Guaramirim (LEI - N.º 247 DE 30.12.48) .

 

  Três fatores históricos moldaram a base da economia e o crescimento do município. O primeiro aconteceu em 1910, com a inauguração da Estação Ferroviária, que fortaleceu o comércio local. Em 1930, teve início o ciclo da industrialização, destacando-se as industrias de cana de açúcar, cachaça e cerâmica. A partir de 1970, as industrias moveleiras, de conservas, massas alimentícias, metalurgia, tintas e vernizes e do vestuário, surgiram como nova fonte de geração de riquezas do município. Hoje, Guaramirim busca um novo salto econômico, com iniciativas que assegurem benefícios para instalação de novos empreendimentos no município.

 

 

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